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Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar um.


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Eu sempre tive tendência à amar. Mas também sempre houve em mim, a necessidade se ser amada. E eu acredito que uma das melhores sensações dessa vida, que praticamente nos enlaça diante de coisas tão pequeninas e maravilhosas de se sentir, é fazer sem esperar nada em troca. É dar, sem pensar no receber. Ainda que essa ideia seja difícil pra alguns, sempre deu certo comigo. São nas expectativas que criamos, que nos geram, vez em quando, decepções: pequenas, grandes. Mas quando nos damos, entregando-nos diante do que sentimos e desejamos, os gestos dos quais somos capazes de realizar, vem em dobro. Triplo. E sabe-se lá mais o quê. Da vida, não quero falsas promessas, precipitações. Desejo ter a eterna ânsia de acreditar, e me entregar ainda que pra isso, eu caia algumas vezes. Ou várias. No entanto, caberá a mim mesma, levantar e seguir em frente. Só a mim. — por Aghata Paredes. 

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Um sorriso amarelado, uma marca deixada pela xícara de café na mesa da cozinha e algumas contas para pagar. Saí correndo porque estava atrasado. Mal deu tempo de passar minha camisa e para deixar tudo mais tranquilo, eu tinha reunião naquele dia em que acordei uma hora atrasado. Ironia faz parte da minha vida, por isso muitas vezes fico parecendo um idiota quando solto um comentário pelo vento. Sempre me dei bem em reuniões pelo fato de sempre saber esperar minha vez para falar. Na escola, eu passava horas com a mão levantada mas não passava na frente de quem tivesse levantado a mão antes de mim. Naquela maldita reunião tive a ideia de passar na frente de todo mundo e opinar sobre todas as coisas. É claro, levei a maior bronca e fui quase demitido. Resultado de mais uma noite mal dormida. Não é uma mulher que atormenta a minha mente e não me deixa dormir. Muito menos o barulho das molas do colchão dos vizinhos de cima que resolvem transar bem na hora em que vou dormir. O que me atormenta é essa correria. Essa rotina maldita. Seja punido quem inventou isso de acordar às seis para estar no trabalho às nove. Todos os dias a mesma coisa. Monotonia. Tudo igual. As mesmas pessoas, os mesmos sorrisos - falsos, tortos, radiantes -, as mesmas ordens, os mesmo horários, os mesmos restaurantes, os mesmos lugares. Monotonia, a mesma que rima com melancolia. A tal da melancolia é outra presente na minha rotina. Todos os dias ao chegar em casa, olho para a mesa da sala e vejo aquele monte de contas para pagar e quando entro na cozinha meu cachorro bagunçou tudo. Não sou uma pessoa pessimista, e nunca vou ser. Se algo me deixa um pouco pessimista, é essa rotina. Rotina que me impede de ir ao clube jogar tênis às quatro da tarde como antigamente, e que também me impede de passar a noite inteira em uma festa porque eu tenho que acordar cedo. Sábado e domingo seriam os dias perfeitos para sair, só que de onde tiro forças? Sábado eu durmo até tarde, peço uma comida pronta para o almoço que serve para a janta e para o almoço de domingo. Não existe felicidade aos domingos. A única coisa que posso fazer aos domingos é ir ao estádio de futebol ver meu time jogar, mas muitas vezes o jogo é tarde demais e preciso adiantar algumas coisas para segunda feira, porque vai começar tudo outra vez. Ciclo constante, que não é nem um pouco vicioso. Monotonia e melancolia, minhas eternas companheiras. — por Monotonia e Melancolia - Arthur Macedo  

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Eu sinto muito, na verdade, muito mesmo por mim… Sinto por ter me guiado pelos caminhos mais errados e por ter feito coisas das quais jamais cogitei fazer, sinto por não ter lutado o suficiente para que não sofresse do jeito que sofro hoje e sinto mais ainda por me importa tanto com tudo, sendo que jamais o ‘tudo’ se importou comigo. É, eu mesma cavei minha própria cova, perdi tanto tempo com coisas tão sujas e nem percebi o tanto que perdi na vida, eu me deixei levar e as coisas foram se soltando e se afastando de mim, digo, tudo mesmo. Meu orgulho e egoísmo acabou com metade das minhas amizades, meu rancor e minha ignorância fizeram pessoas ficarem frias comigo, assim como fui um dia com elas, eu sinto muito mesmo.Foi errado quando ergui as mãos para o céu com tanta fé e pouca luta, foi errado quando deixei meu ego atrapalha meu caminho, foi errado perde horas a fio na janela apenas pensando no que podia ter sido diferente ao invés de recomeçar, tanto quanto foi errado ter votado naquele cara para comandar meu estado, fiz tantas coisas erradas! Na verdade, acho que 99% do que eu faço é errado, e eu sinto muito. Foi tão cruel ter dito que não precisava de ninguém, e quantas vezes eu chorei por não haver ninguém para me amparar? Fui tão orgulhosa quando tive a oportunidade de pedir desculpas e não o fiz. Foi tão imaturo quando dei as costas para alguém que tentou me alerta tanto quanto foi egoísta achar que somente eu estava certa, e eu sinto muito. Mas é uma pena que sentir muito não mude meu caminho, na verdade, acho que a unica coisa capaz disso sou eu mesma… Me olho no espelho e olha o que vejo, completamente nada, apenas o ser egoísta, ignorante, orgulhoso, patético e cruel que sou… É incrível, como pude me torna alguém tão suja assim? Sinto muito mesmo my self, sinto por ter lhe feito assim e eu te prometo que pensarei mais nas minhas escolhas e atitudes e nunca mais tornarei a ser isso que sou, eu prometo porque eu sinto que acabei comigo e é hora de parar de esperar cair do céu e correr atrás de ser feliz. Já que sinto tanto, é preciso parar de sentir e começar a agir, não é possível que seja tão ruim assim a ponto de não poder ser algo melhor, a cada dia que chega temos a chance de recomeçar, e eu pretendo usa-los para que assim seja feito, para que eu recomece do 0 e seja alguém melhor, mais muito melhor do que sou ou fui. — por “Eu sinto muito por mim mesmo, na verdade, por tudo o que sou” Beatriz C. fixada  

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- Eu posso viver de você? - Ela me perguntou com os olhos baixos, o rosto soturno afundado por dentro de suas mágoas antigas e a blusa de alça arrebentada que deixava seu seio direito aparecendo.

- Posso? - Ela insistiu.

- Pode. - Eu respondi.

- Mas ninguém gosta de ser vampirizado assim, meu bem.

- É que ando tão débil. Tão fracassadamente inútil. Não consigo mais aguentar meus pesadelos. Ontem mesmo sonhei que tinha te deixado e ido para a China. E a ligação não completava, você não me atendia. E haviam viagens diárias de três horas. Exaustivas, Carlos.

-E vai suportar a metade do meu peso?

- Eu não sei. Mas nos meus sonhos, você sofre menos.

- As nossas dores serão sempre maiores, Ana. E ainda tem a consciência latente.

- O que tem a consciência latente?

- Se eu repartisse meus lamentos você ainda assim, não saberia do meu passado. Seria só a dor crua. Você não teria a consciência primordial de todas as vezes de que me negaram  uma oportunidade, de todas as vezes que mentiram ou fingiram que eu não existia. Mesmo que você se alimentasse de todos os meus medos, você não entenderia meus traumas e surras. Porque você não estava lá. 

 - E a lembrança é a maior das dores, Ana. É a lembrança. Sem ela, não há sofrimento.

- Então eu quero esquecer.

- Seria melhor uma outra vida, não acha?

- Talvez, mas aí você não existiria.

- Em todas as minhas apostas de vida você apareceria. Em todas, nosso encontro foi inevitável como um voo rasante em direção a minha janela. Não importa o suicidio, o acidente letal ou a parada cardíaca. Não importa se será em Las Vegas ou na China Comunista. Minha boca sempre despencará dentro da sua e meus dentes ainda vão se chocar contra os seus no meio da nossa solidão avassaladora.

- Avassaladora?

- Claro. É uma boa palavra para a nossa solidão de encontros intermináveis. Não acha?

- Acho que sim.

- Não li meu horóscopo hoje.

- Por isso a patologia, baby? Quer que eu leia para você?

- Quero.

- Hoje a sua lua está em Marte e você precisa se conformar. A purificação não virá de dentro devido a tempestade e a loucura. Use as muletas quando sair de casa.

- Começou a chover. Você fecha as janelas?

- E tem como fechar as janelas de dentro?

- Tempestade interna, Carlos, só passa depois que a lua ceder a ao terror do sol.

- Terror do sol?

- E não é terrível uma combustão eminente?

- Você se esquece do apocalipse? O mundo terminará antes congelado pelo frio.  Terminará inerte, petrificado por dois mil anos de devastação e isolamento. A boca do mundo tapada, sem direito ao último grito de dor. Frio como o resto do universo, impotente e insignificante dentro das mãos de Deus.

- E você não tem medo?

- Não mais. Minha boca já foi costurada pela sua e silenciada por seus beijos. Morrer ao teu lado será meu último espetáculo e graça. E eu não poderia exigir nada mais grandioso da morte. 

- Ainda assim quero esquecer, Carlos.

- Eu também. Mas ao mesmo tempo eu tenho um carinho tão grande pelas minhas dores. Tenho tanto medo de ser feliz. 

- Como se o corpo não suportasse o peso que a felicidade carrega?

- Como se a felicidade não fosse feita para os homens. E sim para os deuses.

- Tenho que aprender a sofrer, Carlos.

- E eu a chorar. 

(…)

 

  

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_ As putas da Augusta vão gripar
Só nós dois na sacada olhando as nuvens querendo despencar, e eu penso em voz alta ‘as putas da Augusta vão gripar’.
_ E lucrar infinitamente.
Sento na sacada, te agarro com as pernas, te puxo pra perto.
_ O frio potencializa qualquer solidão…
_ E é aí que as putas da Augusta entram.
Pego teu cigarro, trago fundo, passo a fumaça pra tua boca, você recupera o cigarro.
_ Quantos dilúvios até a Terra se acabar?
_ Não sei. Você acha que vai acabar inundada?
_ I don’t know.
_ Vamos fazer uma aposta?
_ Que aposta?
_ Eu acho que o planeta vai acabar numa implosão. Se encolhendo, sabe? Tipo um big bang ao contrário, vai tudo voltar ao ponto minúsculo que um dia foi. E o mundo, as sociedades, vão regredindo lentamente até isso. Como uma fita que é rebobinada devagar.
_ Marx fala um pouco disso, que os sistemas avançam até seu apogeu e depois não suportam a si mesmo e se superam, se transformam em outra coisa.
_ Foda-se Marx. Eu não tô falando de superação, tô falando de retrocesso.
_ Eu sei.
_ E então? Qual teu palpite? O mundo acaba de que jeito?
_ Um grande terremoto inunda um continente inteiro, (de preferência América do Norte) os oceanos transbordam com o volume, o mundo acaba primeiro em fogo, destroços, cidades desmoronando… Depois em água.
_ Sobreviventes?
_ Não, nenhum. E na tua teoria?
_ Não, claro que não.
_ Se eu acertar o que eu ganho?
_ O melhor sexo da tua vida.
_ Mas isso eu já tenho.
Respondi por impulso, ele riu.
_ Quem disse que eu tava falando de você?
_ Você, quando percebeu que falou demais e ficou vermelhinha.
_ Você nem viu se fiquei vermelha, tá escuro.
Ele passou a mão pelo meu rosto, eu virei, a cidade pulsava sem pausa.
_ Tua pele fica quente, teu rosto se aquece. Eu tô perto o suficiente pra sentir. E o que eu ganho se acertar?
_ Caso contigo.
_ No apocalipse?
_ Não gosto desses termos, mas se você prefere… Sim.
_ Puta que pariu. Tenho que esperar o mundo acabar pra gente se casar?
_ Você devia gostar, vai faltar tempo.
_ Pra que?
_ Pra gente se odiar. Não é o que quem casa sempre faz? Em um momento ou outro sempre faz.
_ Vou rezar hoje.
_ Really?
_ Yeah.
_ Quer se converter antes do fim?
_ Não, vou pedir pro mundo acabar. Vou tentar antecipar.
_ Boa sorte. — por Sofia (via sarcasmoeoutrosorgasmos)

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João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história — por Carlos Drummond de Andrade 

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O inferno está lotado ainda, você sempre pensa que você está sozinho. E você nunca pode dizer a ninguém que você está no inferno ou eles vão pensar que você está louco. Mas ser louco é estar no inferno e ser sensato também. Aqueles que escapam do inferno nunca falam sobre isso e nada mais os incomoda depois disso. Quero dizer, coisas como falta de uma refeição, ir para a cadeia, bater seu carro ou mesmo morrer. Quando você perguntar-lhes, ‘como as coisas estão indo?’ eles vão responder: ‘bem, muito bem …’ Uma vez que você foi para o inferno e voltou é o bastante, é a mais silenciosa celebração conhecida. Uma vez que você foi para o inferno e voltou, você não olha para trás quando o chão range. O sol está no alto à meia-noite. E coisas como os olhos de ratos ou um velho pneu em um terreno baldio pode torná-lo feliz. Uma vez que você foi para o inferno e voltou. — por Bukowski, poema O jeito que isso é.  

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Me trai comigo. — por Gram; Me trai comigo 

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Não te largo, não te troco, e não te empresto. — por John Mayer   (via durador)

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Cala-te.
E escuta o meu amor, aqui dentro. — por Lubya H.  (via d-e-n-g-o)

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Uma boca que há tempos deixou de mastigar e dentes que nunca existiram para travar-me a língua. No lugar dos cintilantes olhos, dois buracos negros e ocos que só abrigam abismos e cadáveres. Pudera eu ter corpo e alma de quem é feito de carne. De quase gente passei para ser não-humano. Mas ainda sei ser, o que me falta é ser eu mesmo. Tornei-me as roupas que visto, as palavras que calo, as ideias que reprimo, os cheiros que guardo, os amores que mato. Tenho tudo, exceto um nome. O espelho me presenteia com demônios, vagabundos e barões de café; todos em uma única e triste imagem desfocada. O estômago já escrevo que engoliu minhas borboletas e acidez. Os braços encaro por tentáculos com ventosas falhas feitas de mal humor, desprezo e azedume. Tão escorregadios que não foram capazes nem de agarrar a própria sombra. As unhas abandonaram-me quando arranhei as tuas escadas querendo que os degraus da tua ausência se desfizessem em meus dedos ensanguentados. Ah, e os dedos… Dez pontas de cigarro importado e três linhas de um destino torto, translúcido e riscado. Os cabelos oleosos envenenados pelo veneno de Medusa não passam de almofada ou flores de túmulo para um crânio esfarelado. O nariz aspira poeira, solidão e veneno adocicado. Os lábios fazem as vezes de gaiola enferrujada para um pássaro que viu sua última vida voar, silenciando a prosa, o canto, o sentimento e a poesia. Um tronco mirrado equilibrando-se em duas bolas de ferro espinhentas. Emoldurei a tristeza em um quadro espelhado e pus a chorar e fazê-la dormir. Antes eu fosse um estúpido vadio, maltrapilho, andarilho, ateu, plebeu, padre, compadre, poeta, Dante ou amante. Antes eu fosse linha, pois linha ainda é real. Braços e pernas para nada me servem, quando tudo é metáfora. Mente e mentira não me assinaram tratados de eficiência. Sofro com riquezas, com luxos e mordomias, como um escravo de casa de engenho. Mas não sofro como gente, porque gente eu já não sei ser. Virei estrangeiro em meu próprio corpo e louvo o hino do inimigo de infância tão amado e obscuro. Desconheço-me e idolatro-me, como um alienado que assiste ao enterro de um indigente e pensa que é presidente. O juízo mordiscou a saudade. Maldita hora em que fitei-me no espelho quebrado. Sinto falta de ser homem ou menino, de ter boca e coração abertos. De amar eu já não sinto falta, quando tudo o que falta é tudo o que se tem. — por Cinzentos (via cinzentos)

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A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhecê-las.
Agarrá-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti. — por Bukowski, O coração que ri. (via ovelhosafado)

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